Policial que matou ex-mulher e sequestrou filha em Santos Dumont desrespeitou medida protetiva

Segundo comandante da PM, a vítima denunciou o ex-marido quatro vezes desde 2017. Militar investigado por feminicídio é procurado.

O policial militar Gilberto Ferreira Novaes, de 35 anos, que é procurado por matar a ex-mulher, de 29 anos, e sequestrar a filha do casal, de quatro, não podia se aproximar da vítima. A Polícia Militar (PM) de Santos Dumont confirmou que havia uma medida protetiva em nome da jovem e que ela registrou quatro Boletins de Ocorrência (BOs) contra ele desde novembro de 2017.

As equipes policiais seguem em trabalho de rastreamento para localizar o homem e a criança. O caso foi registrado pela PM como homicídio e sequestro e pela Polícia Civil também como feminicídio.

“A nossa prioridade é resgatar a criança de forma íntegra. Eles estão em um Fiat Palio Flex cinza, ano 2007, placas GWK-1390. Não descartamos nenhuma hipótese, ele pode ainda estar na região, no Estado ou mesmo ter saído de Minas Gerais. Quem vir, deve entrar em contato pelo (telefone) 190 ou no Disque-Denúncia Unificado (181), porque qualquer informação correta nos ajuda”, destacou o comandante da 63ª Companhia da PM, major Nélio Bertolino Condé.

Histórico de ameaças
De acordo com o comandante da PM, o procurado vivia em Santos Dumont, mas era lotado no Sul de Minas. Havia quatro registros recentes feitos pela jovem contra o ex-marido.

“Em novembro, ele foi preso e teve a arma apreendida. Em fevereiro, foi um caso de ameaça. Em março, um de agressão, ele estava com a menina no carro, ela foi pegar a criança e ele puxou a eex-companheira pelo braço. O mais recente, em abril, foi por perturbação. Ele usou diferentes chips de telefone para ligar para ela, que se recusava a conversar com ele”, explicou o major.

Segundo ele, a Polícia Militar realizou visitas à casa da jovem. “Ela já estava com medida protetiva. Iniciamos e fizemos um trabalho de visitas, conversamos com ela e a mãe. Orientamos a respeito de outras providências a serem tomadas, como constituir advogado para adotar as demais medidas cabíveis na Justiça”, destacou.

Suspeita de crime planejado
De acordo com a ocorrência divulgada pela PM, o namorado da vítima relatou que eles aguardavam a chegada de um lanche e que, ao abrir o portão para o entregador, foi surpreendido pelo soldado armado. Ele subiu as escadas de acesso a casa e fez os disparos contra a vítima. Após o crime, o homem fugiu em um carro emprestado levando a menina de quatro anos.

A jovem foi morta com tiros no tórax, peito e abdômen. Após a perícia, o corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Barbacena. O corpo da jovem foi sepultado no fim da tarde de domingo (19).

“A conduta dele de sacar o dinheiro, não usar o próprio veículo, usar um carro que não era dele, porque tanto a vítima poderiam reconhecê-lo, demonstram que ele planejou esta ação com detalhes”, analisou o major Condé.

De acordo com a ocorrência, o soldado estava afastado das atividades no 29º Batalhão em Poços de Caldas por problemas psicológicos. Ele responderá pelos crimes, tanto internamente quanto na justiça criminal, de acordo com o comandante da 63ª Companhia da PM.

“Ele já estava respondendo a processos administrativos na unidade dele. Diante do crime e do sequestro, ele pode ser considerado desertor por estar desaparecido e responderá a medidas administrativas e está sujeito à exclusão. E são puniçoes independentes, porque o processo administrativo dentro da PM não impede a apuração e julgamento criminal na justiça comum”, ressaltou Condé.

Fonte: G1