Parte do lote da cerveja contaminada foi vendido para Tiradentes

As linhas de produção da cervejaria Backer, no bairro Olhos D´Água, região oeste de Belo Horizonte, foram suspensas na tarde da última sexta-feira (10). Equipes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) fecharam a fábrica, como medida cautelar, em função de as autoridades sanitárias terem encontrado a substância dietilenoglicol, que causa uma síndrome ainda desconhecida, em dois lotes da empresa.

Ao todo, 16 mil litros da cerveja Belorizontina, principal marca da Backer, foram apreendidos. De acordo com o Ministério, também foram determinadas ações de fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado.

CAMPO DAS VERTENTES

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mandou recolher os produtos e a suspensão da comercialização. A ordem foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) da sexta-feira. A cervejaria informou que as 66 mil unidades da cerveja Belorizontina, dos lotes L1 1348 e L2 1348, em cujas amostras foram encontradas a substância dietilenoglicol, foram distribuídas para venda em municípios de São Paulo e do Espírito Santo, além de Brasília e Minas Gerais. A Backer, porém, só informou as cidades mineiras em que os lotes foram comercializados: Belo Horizonte, Ouro Preto e Tiradentes.

No último sábado (11), o movimento no estabelecimento da Baker, no centro de Tiradentes, era muito fraco. Um dos pontos mais visitados na cidade histórica estava praticamente vazio.

A Polícia Civil investiga se o consumo de amostras contaminadas foi o que ocasionou uma “doença misteriosa” em Minas Gerais. Um homem, que consumiu a cerveja na Zona da Mata, morreu e outros nove foram internados com sintomas semelhantes ao causado pela intoxicação por dietilenoglicol desde o final do ano passado. A força-tarefa que investiga o caso informou que o número de casos passou de oito para dez. Exames de sangue de três pacientes infectados já mostraram a presença da substância. Segundo o Ministério, auditores fiscais federais agropecuários “prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação a fim de dar pleno esclarecimento à população sobre o ocorrido”. Análises laboratoriais seguem sendo realizadas nas amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura”, disse o órgão.

“A cervejaria aguarda a conclusão das investigações e reforça seu compromisso com a qualidade de seus produtos”, diz a nota da Backer.

A Backer destaca ainda que a “substância não faz parte do processo de produção da cerveja Belorizontina”. A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) “reforça a informação da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) de que as hipóteses para o surgimento da síndrome nefroneural ainda não foram esclarecidas. Ressaltamos que as normas para abertura e manutenção de fábricas de cervejas são bastante rigorosas a fim de evitar qualquer dano a saúde”.

Informações Uol via conteúdo Estadão.