Copa do Mundo x crise Política

A insatisfação política, aponta que os eleitores preferem “ninguém” ao cardápio
proposto para outubro; demonstra também desânimo com o campeonato mundial. São
desdobramentos do mesmo drama. O fato é que o sistema político tanto quanto o
esquema da Confederação Brasileira de Futebol entraram quase que simultaneamente
em colapso. A autoimagem do país e a indignação da sociedade brasileira foram afetada
dentro e fora de campo. A crise dizimou a liderança política ou ela já se liquidara com o
decorrer dos anos e o prolongamento de velhas práticas? Provavelmente, os dois. O
vazio se estabeleceu e isto se reflete no cardápio eleitoral indigesto. Afeta autoimagem
do brasileiro. A lembrança do mar de camisas amarelas da seleção, num cenário de
discursos moralistas, gera hoje certo constrangimento. Mais que de outras vezes, a
eleição será “contra”. Não a favor de fulano ou de sicrano, mas contra beltrano,
entendido como mal maior. O problema é que esse mal mora sempre do outro lado. A
eleição se transforma na luta de todos contra todos.

No entanto, isto levará tempo para mudar, um país não é um time de futebol. É bem
mais difícil formar elencos, quase nunca os melhores estão à disposição. O jogo da
política se dá de imediato, online e na vida real, entendendo que na política destes dias
não há nenhum craque que resolva o problema em um só lance.

Segundo Carlos Melo, cientista político, o desalento com o futebol é muito mais simples
que o desalento com a política, pois já na primeira vitória, quem sabe no primeiro lance
de ataque, ele se dissipará. Brasileiro não resiste a um jogo bem jogado, o país não se
contém, gritará “GOL”. Na política, as coisa não são assim: a crise de confiança é mais
perene e a história não tem a mesma capacidade de produzir líderes que o futebol tem
em produzir craques. São ídolos feitos de materiais diferente. Na política não se
consegue competências como a cobertura de Miranda, o senso de colocação de Tiago
Silva, a segurança de Casemiro, a versatilidade de Paulinho, e o fôlego de Coutinho. Na
política brasileira, Jesus ainda não nasceu. E nem há Jesus que dê jeito. Não há Tite,
nem há Neymar, o que se tem é tudo o que se tem, o que há para hoje. Não dá para
abandonar o campo, nem se esconder na arquibancada.

O brasileiro precisa entender que o time de futebol do Brasil e o time de políticos
corruptos não podem ser levados a comparações que produzem um sentimento de
desânimo e tristeza. Até porquê o time de futebol é composto de jogadores que se
transferem ainda jovens de suas cidades e periferias com grandes histórias de superação
para buscar sonhos e tirar suas famílias da pobreza. Articulações que as vergonhosas
políticas sociais não conseguem propor aos cidadãos. Sem esquecermos que estes
mesmos buscam suas estabilidades financeiras fora do Brasil. Em contrapartida temos
este time monstruoso de políticos corruptos que mancham e destrói nossa história
trazendo desmotivações, desemprego, desigualdades sociais, vergonha e revolta.

Enfim, vamos respeitar aqueles que realmente não gostam de futebol. Mas para quem
gosta, vamos botar um sorriso no rosto e vamos torcer para nossa seleção, pois o esporte
ainda é um dos melhores caminhos para um povo se sentir orgulhoso. Buscando um
bem estar, que seja momentâneo, mas pelo menos feliz e sem receios.

Att: Sérgio Pedro da Silva
Bacharel em Serviço Social